Criticando a Crítica




Em geral temem a crítica.
Mas por quê?
Se é ela que lhe faz rever.
E entender.

A pior crítica é a melhor de todas.
A vaidade humana,
muitas vezes desprovêem disso,
o burguês bacana.

Não é raro ouvirmos o melhor dos conselhos,
Justamente dos inimigos da gente.
É que justamente e felizmente,
a natureza humana é surpreendente,
não se podendo controlar ou entender um ser humano.
Inteligente...
Pobre gente...

O burguês toca piano.
Mas Beethoven,
fazia a música,
sem poder ouvir,
o som de um soprano.

Não é que o dinheiro seja ruim.
Mas pode causar muito desengano.
Tirando o sujeito do seu plano.
Fazendo meros humanos,
crerem que são deuses,
e não, meros momentos urbanos.

O dinheiro deve pertencer ao homem,
e nunca o contrário.
Viva...
Não seja otário.


                      Rodrigo Jorge Bucker – Niterói 2013

Limpar Bosta nos EUA é Chique

Será que bosta americana?
Aquela merda de bacana?
Fede menos?
Ou será mesmo só fama?
Fama de bacana.

Madames esnobes viajam...
Viajam atrás dessa grana.
Mas que sacana.
Posam de esnobes,
mas quando ninguém vê,
limpam as bostas dos nobres.
E até arrumam a cama.

Que coisa...
A merda cheira a flores.

Mas que mulher linda...
De cócoras...
Limpando o vaso do banheiro.
Pra juntar dinheiro.
Desespero!
Já pro chuveiro!

Não Existiria Einstein Sem Careta




A relatividade é tudo na vida.
Um suposto gênio que faz careta.
Para toda gente genial ou normal.
Afinal?
O que é normal?

Normas fazem construções arquitetônicas.
Talvez uma mão biônica.
Mas nunca um Homem.
Homem que vive e sonha.
O gênio faz o prédio.
Mas o prédio nunca faz um gênio.

A mente do gênio se nega à compreensão.
O gênio sabe que a genialidade é abstrata.

Não se almeja salvar a humanidade.
Mas apenas pessoas de mente aberta e boa vontade.

Jamais poderia se imaginar ou sonhar,
a figura do Einstein sem sua bela careta brincar.
Uma careta que subliminarmente,
recoloca o Einstein mais próximo da gente.
E lhe configura,
com ternura,
a genialidade,
da simplicidade.
                         

                     Rodrigo Jorge Bucker – Niterói 2013

Solteiro ou Casado Todos Sofrem um Bocado



Cadê o feijão?
Onde?
Hum...
No mercado, claro.
Sou solteiro e enrolo um bocado.

Môzinho, pega uma cervejinha pro maridão, pega?
Hum, claro que não, que idéia.
Sei que ela trabalhou também todo o dia.
Ai, Amélia...

Solteiro come pão duro,
Casado come feijão fresco,
mas dorme com medo do ronco.

Solteiro faz noitada,
Mas tem que lavar a roupa vomitada.
Casado só sai engomado.
Coitado.
Haja saco pra aturar aquele cunhado.

Solteiro mija na tábua
do banheiro,
Pode até dormir no chuveiro.
Também não encontra calcinha suja no banheiro,
nem absorvente no espelho.
Mas casado...Mas casado...
Mas casado...
Casado é quase capado!
Kkkk...
Um cachorrão adestrado.
Mal amado.

Sei lá.
Cada um que sabe da sua praga.
Seja boa ou mal amada.
São mulheres que sempre nos tiram da roubada.


                      Rodrigo Jorge Bucker – Niterói 2013

Melhor do que Caviar em Paris



Eu vi...
Eu vi...

Havia um burguês em Paris.
Bem ali.
E eu passei por ele.
Eu gritei pra ele:
“Burguês tira o dedo do nariz!
Vai ser feliz!”
E ele riu e correu...
Escafedeu.

E eu gritei mais alto:
“Volta aqui burguês!
Come caviar outra vez!”

O burguês voltou me olhou e disse:
“Oh brasileiro.
Qual é a sua?
Pare de zoar do meu desespero!
Eu moro em Paris,
como caviar todo dia,
sempre no jantar.
E passo mal todo dia em saber
que isso a nada vai me levar.”

“Arrume as malas e vamos viajar!
Vou te levar pro Brasil.”,
falei pra ele.

Chegando lá coloquei o gringo pra rebolar.
Coloquei pra dançar com uma mulata de encantar.
E a copa ainda vai chegar...

O gringo endoidou.
Ele agora mora por aqui.
Não mas come caviar,
agora é feijão no jantar.
Casou com uma morena,
teve filhos,
e agora todos jantam feijão no jantar,
bem na sala de estar.

E por fim o gringo me perguntou hoje: "E aí, vai viajar?"
E eu respondi:
“Claro,
Vou pra Paris...
Ainda existe por lá
muito burguês para eu salvar!
kk.”


                       Rodrigo Jorge Bucker – Niterói 2013

Burguês Infeliz

Ele mal fala português,
mas quer escarrar inglês.

Ele não entristece,
ele deprime.

Ele nunca enche a cara,
ele só se entope de Prozac.

Ele pode até comer pizza,
mas arrota caviar.
Seja de dia ou no jantar.

Mas que pobreza é essa?
Moras de frente pro mar,
mas nem isso sabe olhar.

Mas que sina é essa?
Tens a melhor mulher,
mas nem isso lhe fascina.
Nem mesmo de biquine na sua piscina.

Que deprê é essa?
Velho sai dessa!

Compre um fusca velho,
vai viajar por aí...
Vai ver o mundo que há de existir...
Vai fugir,
não sei.
Assim não pode ficar.
Vai sonhar...
Pare de fazer mal aos outros.
Sejas como esse "outro" que tanto lhe encomoda e causa espanto.
No fundo quer ser igual.
Apenas não tens força e coragem
pra peitar a sacanagem.
Um pobre, mas livre e alto astral!

Um pobre! 
Mas livre e alto astral!
Desigual!
Surreal.
Nem precisa de tanto médico e tal.

Cazuza, a burguesia já fedeu o que tinha pra feder.
É hora do amanhecer.

Obrigado!


                         Rodrigo Jorge Bucker - Niterói 2013

Metralhadora de Verbo



Ela derruba qualquer castelo.
Sejam de sonhos ou de concreto.

A metralhadora de verbo
assim governa.
Toda guerra começa com uma caneta e assim pode terminar.

O Homem é o verbo.
O verbo vence qualquer terno.
Seja fino ou granfino,
todos caem em desatino.

Seus gatilhos são as teclas.
Sua armadura,
a ternura.
Seu escudo,
o próprio mundo.
Seu alcance não tem limite.
Esquadrão de elite.
Sua munição,
a atenção.
Dessa arma ninguém escapa.
Seus disparos,
a verdade.
Seu alvo: A vaidade da ruindade. 

A imagem é um homem franzino, com uma caneta na mão,
escrevendo então.
E assim derrota todo um exército inimigo armado com fuzis até os dentes.

A metralhadora de verbo é foda.
Sente, tome uma soda.
Vai precisar.
                       
                          Rodrigo Jorge Bucker – Niterói 2013

Megalomaníacos

Eles sonham em ser grandes...
A furada de pseudogigantes.

Afinal o que é grande?

O livro ou a estante?
 

O que vale mais o dedo ou o diamante?

Ai ai,

Gigantes...
Pensam que são grandes.
Tentam segurar o mundo... 
Quando mal seguram seus mundos.

Gigantes que morrem pelos diamantes.

Nem ligam muito pros livros na estante.

Gigantes...

Mal andam nas rodas gigantes.

Que pequeno sonho têm esses gigantes.

Nem sabem salivar e querem escarrar.

Querem dominar o mundo,

e mal sabem desse segundo.

Querem muito dinheiro,

mas plantam terror 
e colhem desespero.

Querem tudo.

Mas mal sabem o que escolhem nesse mundo.

Manda sem dó,

mas na realidade nem manda em seu fiofó.

Churrasquinho na Favela


Eu vivi uma vida de novela.
Mas sei que o bom é aquele churrasquinho na favela.

Fui múmia, Rei,
e de sapo a príncipe.
Mas hoje sei que a vida é muito mais do que qualquer Doutor já me disse.
Se não rir da vida ela ri de você,
é bom saber e logo isso aprender.
Ou um dia o céu desaba e você nem saberá o porque.

Ande na chuva hoje...
Depois vai tomar banho mesmo.
Se olhe no espelho e veja outro,
ao menos hoje.
Realize seu desejo.
Se dê um beijo.
Depois se bata novamente.
Não tenha medo é isso que faz a gente.

A única coisa no mundo emocionalmente estável que já vi...
É um poste.

O Negro em Cada um

Eu não preciso usar rosa
para demonstrar que não sou homofóbico.
Não preciso ser negro para demonstrar que não sou racista.

Muito pelo contrário.
Ao continuar a ser homem e usar azul que seja,
eu demonstro que justamente,
não se julga ninguém pela aparência física,
cor de sua pele ou camisa.

A minha camisa é sempre a poética.
E não só dialética.
Patética.

Qual a vantagem de um gay respeitar outro gay?
Qual a vantagem de um negro não demonstrar racismo para com o outro negro?
Nenhuma quase.
Então para que usar tanto disfarce?
Como se de rosa ficasse evidente a alma da gente.

Onde houvesse só rosa como perceberíamos justamente o rosa?

Eu talvez hoje use azul...blue...blue... blue...
Mas tenho valores concretos
e não objetos.

Sei dessa bobagem e sigo talvez em vantagem.
Não uso carro alegórico de paisagem.
Isso sim é sacanagem.
Bobagem...
Soa a politicagem.

Defendo os direitos de todas as pessoas, sejam elas quais ou quem forem.
Sejam as que usam até flores.
Ou rabanetes nas orelhas, que seja.
Melancia no pescoço, espinafre no pulso e o diabo a quatro.

Loucura é querer todo mundo igual.
Que baixo astral.
Surreal!
A diversidade é que é legal.

O ponto é respeitar a lei e andar como quiser,
por onde e quando convier.