sábado, 26 de janeiro de 2013

Metralhadora de Verbo



Ela derruba qualquer castelo.
Sejam de sonhos ou de concreto.

A metralhadora de verbo
assim governa.
Toda guerra começa com uma caneta e assim pode terminar.

O Homem é o verbo.
O verbo vence qualquer terno.
Seja fino ou granfino,
todos caem em desatino.

Seus gatilhos são as teclas.
Sua armadura,
a ternura.
Seu escudo,
o próprio mundo.
Seu alcance não tem limite.
Esquadrão de elite.
Sua munição,
a atenção.
Dessa arma ninguém escapa.
Seus disparos,
a verdade.
Seu alvo: A vaidade da ruindade. 

A imagem é um homem franzino, com uma caneta na mão,
escrevendo então.
E assim derrota todo um exército inimigo armado com fuzis até os dentes.

A metralhadora de verbo é foda.
Sente, tome uma soda.
Vai precisar.
                       
                          Rodrigo Jorge Bucker – Niterói 2013

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Carnaval, Stefany e Tal – Alberto Carreteiro [ P/ > 18 Anos ]

Que mulata!
Do jeito que ela rebola quase me mata.

A mulata perfeita

vem acompanhada
de uma loira gelada.

A mulata é quente,

a loira bem gelada,
mas é a mulata que a sede me mata.

Ohhh mulata.

Rebola e encaixa.
Me esculacha!
Vai, me escracha...
Eu sei que você se acha.

Se eu fosse politicamente correto,

não ia te tratar como esse lindo objeto.
Mas no fundo tu sabes,
é isso que te levas até o teto.

Ohh gostosa!

Que bunda é essa tão palposa?
Usa babosa?
Não sei...
Mas que eu babo e fico prosa, 
eu sei.

Tu és mesmo gostosa.

Rebola então até embaixo vai...
É o tchu é o tcha,
Pode deixar que vai gozar.

Não sou machista não.

Só sei colocar uma mulher pra rebolar.
E elas nem querem parar.

                      Alberto Carreteiro – Ipanema 2013

Megalomaníacos

Eles sonham em ser grandes...
A furada de pseudogigantes.

Afinal o que é grande?

O livro ou a estante?
 

O que vale mais o dedo ou o diamante?

Ai ai,

Gigantes...
Pensam que são grandes.
Tentam segurar o mundo... 
Quando mal seguram seus mundos.

Gigantes que morrem pelos diamantes.

Nem ligam muito pros livros na estante.

Gigantes...

Mal andam nas rodas gigantes.

Que pequeno sonho têm esses gigantes.

Nem sabem salivar e querem escarrar.

Querem dominar o mundo,

e mal sabem desse segundo.

Querem muito dinheiro,

mas plantam terror 
e colhem desespero.

Querem tudo.

Mas mal sabem o que escolhem nesse mundo.

Manda sem dó,

mas na realidade nem manda em seu fiofó.

                      

                     Rodrigo Jorge Bucker – Atlantida 2013

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Churrasquinho na Favela


Eu vivi uma vida de novela.
Mas sei que o bom é aquele churrasquinho na favela.

Fui múmia, Rei,
e de sapo a príncipe.
Mas hoje sei que a vida é muito mais do que qualquer Doutor já me disse.
Se não rir da vida ela ri de você,
é bom saber e logo isso aprender.
Ou um dia o céu desaba e você nem saberá o porque.

Ande na chuva hoje...
Depois vai tomar banho mesmo.
Se olhe no espelho e veja outro,
ao menos hoje.
Realize seu desejo.
Se dê um beijo.
Depois se bata novamente.
Não tenha medo é isso que faz agente.

A única coisa no mundo emocionalmente estável que já vi...
É um poste.

                    Rodrigo Jorge Bucker – Nova Iorque 2013

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Utopia


Ele comeu a tia.
Ao menos, no chuveiro,
naquele dia, no banheiro.
Ao menos em sua fantasia e devaneio.

O que não é utopia?
O que no ser humano não é sonhado
antes de inaugurado?
Adoro utopia.
Pego logo um bocado.

A utopia é o sonho a ser sonhado.
É a realidade a ser cumprida,
a vida ainda não vivida.
A cura da ferida.
Abrida.

Se eu não fosse utópico não viveria nem um dia.
A vida então seria vazia.
Cheia apenas de realidade vazia.
Congelada em modelos eternizados
talvez outrora por outros sonhados.

Utopia sim!
A utopia é a mola motriz da existência humana.

A mesmice rima com canalhice,
oportunize,
babaquice.

Se um dia político fosse,
Fundaria o partido utópico.
O PU.
Tentaria então acabar com a mesma corrupção.
A mesma de sempre.
Que mata tanta gente.

Então podem me chamar de utópico.

Prefiro sonhar
do que já como morto estar.
Prefiro nadar
do que pensar só no afogar.

Se não fosse a utopia
nem mesmo
uma mulher se divorciaria
hoje em dia.

Obrigado utopia.


                       Rodrigo Jorge Bucker – Niterói 2013


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O Negro em Cada um




Eu não preciso usar rosa
para demonstrar que não sou homofóbico.
Não preciso ser negro para demonstrar que não sou racista.

Muito pelo contrário.
Ao continuar a ser homem e usar azul que seja,
eu demonstro que justamente,
não se julga ninguém pela aparência física,
cor de sua pele ou camisa.

A minha camisa é sempre a poética.
E não só dialética.
Patética.

Qual a vantagem de um gay respeitar outro gay?
Qual a vantagem de um negro não demonstrar racismo para com o outro negro?
Nenhuma quase.
Então para que usar tanto disfarce?
Como se de rosa ficasse evidente a alma da gente.

Onde houvesse só rosa como perceberíamos justamente o rosa?

Eu talvez hoje use azul...blue...blue... blue...
Mas tenho valores concretos
e não objetos.

Sei dessa bobagem e sigo talvez em vantagem.
Não uso carro alegórico de paisagem.
Isso sim é sacanagem.
Bobagem...
Soa a politicagem.

Defendo os direitos de todas as pessoas, sejam elas quais ou quem forem.
Sejam as que usam até flores.
Ou rabanetes nas orelhas, que seja.
Melancia no pescoço, espinafre no pulso e o diabo a quatro.

Loucura é querer todo mundo igual.
Que baixo astral.
Surreal!
A diversidade é que é legal.

O ponto é respeitar a lei e andar como quiser,
por onde e quando convier.


                        Rodrigo Jorge Bucker - Niterói 2013