terça-feira, 25 de setembro de 2012

Mendigos de Terno




Mundo doente...
Mendigos de terno pensam que são gente.

Mundo doente.
Sociedade industrial carente.
Esmolam amor.
Mas geram a própria dor.

O burguês come caviar.
Mas espera ninguém olhar pra poder arrotar.

Carentes eloquentes que matam muita gente.
Gostam de ver MMA na TV.
Mas não querem lutar.
Querem roubar.

Eles têm medo de apanhar.
Não suportam nem se arranhar.
Mas gostam de ver os outros se ferrar.

Muito sociólogo de papel.
De frescoróra pegando arzinho no saco ao léu.
E a noiva que mais deu ainda casa de véu.

Os mendigos de terno ainda posam de fraternos.
Valorizam seus ternos.
Que copiaram de modelos europeus.
Europeus que moravam em castelos.
Castelos que aparentam belos.
Mas que, quase sempre, em seus interiores existiam reis podres.
E não nobres.

Esses mendigos,
Na verdade mais pobres que qualquer um.
Não titubeiam em destruir vidas.
Isso em nome de suas vaidades e ruindades.

Pobres...
Vamos rir desses “nobres”.

Sinto muito, mas não me adapto a isso.
Uma ilusão total.
Um social descompromisso.
Bandido e omisso.

A burguesia fede mal.
E pensa poder comprar seu astral.
Na farmácia e tal...

Mendigo de terno é um bandido visto de perto.
A justiça já está feita.
Enquanto assim,
Eles cavam seu próprio fim.



                       Rodrigo Jorge Bucker – Niterói 2013

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Beleza Enjaulada

Quando um homem coloca um belo pássaro na gaiola,
ele busca congelar, 
petrificar a beleza daquele momento à voar.
Mas isso há de acabar.
Nunca podemos congelar aquilo que sabe voar.

É o mesmo que o matar ou torturar.
Assim como o amor e sua partida que não suportamos olhar,
o pássaro sabe e insiste em voar.

Na ilusão infantil de que podemos perdurar as coisas,
não contemplamos nem mesmo o momento maravilhoso do pássaro em seu voo orgulhoso.

O ego humano lhe confere todo mal humano.
Mas humano, demasiadamente humano.

O pássaro uma vez preso pode imitar essa característica humana,
e deixar de lado suas caçadas rasantes,
em nome de um suposto conforto e comida a gosto.

Mas jamais será pássaro se assim permanecer.
Será um pássaro enlouquecido,
enjaulado e ligando tão pouco.

A sabedoria mostra o poder do momento e a ilusão da eternidade.
Eternidade sempre rimou e rima com vaidade.

Vaidade rima com desumanidade.
Há de se ter a boa vaidade,
Que justamente lhe orgulha da simplicidade.

Há de se andar de cabeça erguida,
mas por saber que você manda em sua vida.
Há de voar pássaro...
Todo pássaro livre volta ao “dono” e seus braços.


                Rodrigo Jorge Bucker – Niterói - 2012