quinta-feira, 26 de abril de 2012

A Formiga e a Cigarra (Politicamente Correto)

Eu trabalho pra caralho e essa porra de cigarra não faz nada.

Eu ralo pra cacete e ela é que vive sorrindo e curtindo.

Eu ganho dinheiro com meu suor e ela é quem parece melhor.
                                                                                 
Que porra de cigarra é essa!?    

Vai se fuder! Você vai ver!

Um dia vai querer comer e não vai ter.

Passaram 15 anos então...

A formiga saiu pra trabalhar nesse dia 
e de repente percepeu que não mais ouvia aquela música da tal "vadia".

Primeiro ela sorriu e sem culpa gritou:

Viu sua puta! 
Não disse que ia morrer.

Passaram alguns minutos e tudo quieto...

A formiga começou a perceber algo estranho... 
O que lhe movia todos os dias ao trabalho, e a mantia ali trabalhando duro, era aquele som, um som... um tanto maduro e profundo. 
Esse som parecia clarear 
o escuro no qual a formiga ia trabalhar todo dia antes do sol raiar.

O som da cigarra! Pensou ela, e gritou:
Maldita cigarra!
hhhhaaaaaaaaaaaaaa....!

A formiga se desesperou e gritou muito alto:

Me desculpa! Me desculpa!

Sua puta, não morra!

Correu pra casa da cigarra...
E quando lá chegou a encontrou caída no chão.
E indagou a ela:

O que faz aqui no chão?

Foi então que a cigarra riu, olhou pra formiga e disse:

Só canto pra quem tem coração 
e sabe o valor da minha canção!
Só canto pra quem vi agora em pranto 
molhar o chão por mim então!
Sempre cantei pra você poder trabalhar e ajudar do meu jeito 
a nos sustentar. 
Sempre soube que não ia aguentar 
trabalhar um dia se quer 
sem dançar.

Qua qua qua...
Vamos bailar!!

Então hambas aprenderam que trabalho não é apenas o evidente 
e sacrificado aparente.
E que como toda gente, 
vivem em sociedade, e ninguém pode dizer onde o calo de cada uma aperta mais.

"O gramado do vizinho sempre parece mais verde". 

Mas é que simplesmente está mais longe da visão do outro, que apenas o vê por cima do muro.
Podem acreditar a vida é dura para qualquer um, 
e a única bravura 
é cada um ficar na sua loucura.


             Raulzito S. Além - Rio de Janeiro 2012